Metanol é perigoso à saúde e provoca sérios danos ao motor do carro
Substância tóxica também é utilizada na adulteração de combustíveis e pode levar a prejuízos elevados
Os crescentes casos de intoxicação por ingestão de metanol adicionado ilegalmente em bebidas alcoólicas registrados em diferentes estados brasileiros têm preocupado as autoridades e a população. Altamente tóxica, a substância pode provocar sérios problemas de saúde e até levar à morte quando ingerido.
Em agosto, uma operação realizada pelo Ministério Público e a Polícia Civil de São Paulo desarticulou um esquema de adulteração de combustível com metanol orquestrado por membros de uma facção criminosa que tem atuado em diversos setores comerciais no país.
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A venda do metanol como combustível para automóveis foi proibida no Brasil no começo da década de 1980 justamente pelo alto grau de toxicidade. A substância, classificada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), chegou a ser comercializada nos postos de abastecimento entre 1979 e 1981, durante um período de escassez na produção de etanol.
Segundo a ANP, o teor máximo de metanol permitido no etanol ou na gasolina não pode ser superior a 0,5%. Acima desse percentual, o combustível é considerado adulterado, condição que leva a multa e interdição do estabelecimento até que o produto seja totalmente removido e descartado.
Afinal, o que é o metanol?
Também conhecido como álcool metílico, o metanol (CH3OH) é uma substância altamente inflamável que pode ser facilmente confundida com o etanol (C2H6O) por ser incolor e praticamente não ter odor.
Diferentemente do etanol, geralmente feito a partir da fermentação da cana-de-açúcar, o metanol é produzido por uma reação química entre o gás metano com o vapor do monóxido de carbono. A substância é utilizada na produção de solventes, entre outros produtos químicos.
Reprodução/Shutterstock
O que acontece se abastecer o carro com combustível adulterado com metanol?
A probabilidade de o metanol provocar danos graves no motor é alta, uma vez que as peças do veículo não têm proteção contra o elevado grau de corrosão da substância. Componentes, como bicos injetores, bombas de alta e baixa pressão, velas, entre outros itens, são seriamente afetados pelo metanol.
Além disso, existe o risco à saúde dos profissionais que lidam ou reparam os veículos abastecidos com combustível adulterado, uma vez que frentistas e mecânicos estão sujeitos à inalação dos gases pela evaporação do metanol no abastecimento ou no manuseio das peças contaminadas durante o conserto.
Como saber se o carro foi abastecido com combustível adulterado?
Muitas vezes, o motorista descobre apenas quando o veículo começa a apresentar algum defeito: dificuldade na partida, mau funcionamento do motor, alteração na marcha lenta são alguns indicativos da presença do combustível “batizado”.
Como evitar o combustível adulterado?
Abastecer o veículo em postos de confiança é a melhor maneira para evitar combustível adulterado. Desconfie de postos com preços abaixo da média do mercado. Na maioria dos casos, os combustíveis contaminados são mais baratos.
Imagem abertura: Reprodução/Shutterstock
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