Jetour T1 é jipão híbrido com jeito de Jeep Renegade, mas sem tração 4x4

SUV médio tem características de urbano com tempero moderado para enfrentar percursos aventureiros

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10.02.2026 às 12:29 • Atualizado em 11.02.2026

A Jetour é mais uma marca chinesa que chega ao Brasil para acirrar o mercado de SUVs eletrificados. Entre os lançamentos escolhidos para marcar a largada está o T1, posicionado como modelo intermediário da marca para brigar com GWM Haval H6 e BYD Song Plus.

Ofertado em duas versões, Advance e Premium, que custam R$ 249.900 e 264.900, respectivamente, o modelo tem como diferencial o visual que foge das tendências chinesas. Marcado pela proposta de mesclar entre o urbano e off-road, ele possui linhas predominantemente mais quadradas que lembram um jipe.

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À primeira vista, o SUV aparenta ser uma boa opção para quem busca um carro voltado para a condução aventureira, no entanto a carroceria monobloco e tração dianteira entregam que o modelo tem um apelo mais urbano do que fora de estrada para enfrentar trilhas, por exemplo.

Ele até encara estradas de terra e pisos irregulares, mas não é o tipo de SUV feito para trilhas mais exigentes. O vão livre de 190 mm e os ângulos de 28° de ataque e saída ajudam na teoria, porém a ausência de tração 4x4 limita a performance aventureira.

A justificativa da montadora está no perfil do seu cliente. Segundo a Jetour, a decisão de trazer modelos inicialmente 4x2 é baseada em dados internos e de mercado que indicam poucos compradores realmente usam o 4x4. Além disso, o sistema encarece o veículo e mudaria o posicionamento inicial de vendas previsto.

Como é o Jetour T1 na prática

Marcela Cavirro/Mobiauto

Marcela Cavirro/Mobiauto

Motor e ergonomia

O primeiro contato com o T1 foi no Autódromo Velocitta, onde o teste aconteceu inicialmente em uma pista com asfalto de qualidade. E foi neste percurso que o T1 mostrou seu melhor lado.

A ergonomia é um dos pontos altos. A posição de dirigir é bem ajustada, o volante tem boa empunhadura e a direção elétrica entrega leveza na medida certa, sem ficar "leve” ou “pesada” demais. É um SUV médio, apesar dos 4,70 metros de comprimento, o tamanho não intimida ao volante.

A suspensão também merece destaque. Filtra bem as imperfeições e transmite o conforto esperado para um SUV monobloco, algo que conversa diretamente com a proposta familiar do modelo.

Em curvas, o T1 aponta bem, mas há rolagem de carroceria perceptível. Nada alarmante para a categoria, mas está ali.

Sob o capô, está o conjunto híbrido plug-in formado pelo motor 1.5 turbo a gasolina de 135 cavalos de potência 20,4 kgfm de torque que dificilmente é o protagonista durante a condução. Mesmo durante a aceleração ele se mostra praticamente imperceptível e quase não apresenta ruídos.

O real propulsor em evidência é elétrico de 204 cavalos de potência e 31,6 kgfm de torque, alimentado pela bateria de 26,7 kWh de capacidade. Sua presença é constante e favorecida pelo conjunto durante a maior parte da condução, exceto quando posicionado no modo Sport.

O que garante um consumo declarado no modo híbrido de 13,6 km/l na cidade e 12,2 km/l na estrada e uma autonomia somente elétrica de até 88 km, segundo o Inmtetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia). E segundo a Jetour, a autonomia total do T1 pode chegar aos 1.200km com tanque cheio e bateria carregada.

Essa mesma característica de favorecimento do modo elétrico, que é bastante benéfica para o uso urbano, pode ser um problema na hora de enfrentar terrenos difíceis.

Além da pista de asfalto comum, o T1 também foi testado no perímetro off-road, cercado por alguns obstáculos. E nesse trajeto, o modo elétrico também foi favorecido, trazendo uma condução agradável aos ouvidos, silenciosa como deve ser, mas problemática ao enfrentar obstáculos mais severos como pedras e buracos.

Isso porque, ao enfrentar um percurso mais aventureiro a tendência é de uma velocidade mais controlada. Aqui, como o modo privilegiado é o elétrico, a entrega de torque total é imediata, ou seja, favorecerá uma condução mais brusca e turbulenta em obstáculos. O que exige uma dosagem mais cuidadosa do pé no acelerador.

No entanto, os assistentes de saída e descida em rampa foram testados e demonstraram eficiência na prática. Basta selecionar o comando, deixar os sensores identificarem a rampa sem o uso dos pedais o carro controlará o percurso em uma velocidade moderada.

E durante o caminho mais aventureiro, o SUV demonstrou que seus ângulos de ataque e saída de 28º e para-choque salientados cumprem bem a função de enfrentar adversidades como galhos e objetos na pista.

Ainda falando sobre as impressões no asfalto, vale ressaltar que o T1 tem 315 cavalos de potência combinada e 52 kgfm de torque combinado. Apesar de à primeira vista serem medidas dignas de encher os olhos, os 2.000 kg de peso e acerto do carro inviabilizam que essa sensação seja transmitida para condução.

Itens de série

Marcela Cavirro/Mobiauto

Marcela Cavirro/Mobiauto

Entrando na cabine, o Jetour T1 tem o espaço interno como um de seus triunfos. Favorecido pelos 2,80 metros de entre-eixos e ausência e túnel central elevado, que favorecem um bom aproveitamento de espaço para até cinco passageiros, incluindo quem vai no meio no banco de trás.

Falando sobre conforto, os bancos possuem reforço de maciez e também contribuem para que todos os ocupantes tenho o mesmo nível de aconchego.

Além disso, o porta-malas também é generoso, de 547 litros de capacidade. Na versão de topo, a abertura do bagageiro ainda é elétrica e dispensa esforço. Característica também presente no capô, que de série possui amortecedor e dispensa a necessidade de vareta para sustentar a tampa.

Na primeira fileira, o motorista conta com um painel de controle de 10,25 polegadas totalmente de digital, que é vistoso em excesso. Possui um excesso de informações, que na prática podem tirar a atenção do motorista da via ao tentar localizar alguma informação específica como a autonomia.

Ao centro, está a central multimídia de 15,6 polegadas com espelhamento Apple CarPlay e Android Auto sem fio flutuante que abrange comandos como controle de fácil acesso como o de auxílio em rampa e controle de tração.

Na prática, as câmeras laterais, frontais formam uma visão 570º bastante úteis e com boa visibilidade. A dianteira, por exemplo, demonstrou bastante eficiência ao enfrentar uma subida adversa e mostrar com clareza os obstáculos a frente não visíveis a olho nu.

No pacote de equipamentos de segurança, o T1 também é bastante completo, e inclui:

  • Controle eletrônico de estabilidade – ESC
  • Distribuição eletrônica de força de frenagem – EBD
  • Assistência de frenagem de emergência – EBA
  • Sistema de controle de tração – TCS
  • Assistente de saída em rampa – HHC
  • Assistente de descida – HDC
  • Piloto automático – CCS
  • Piloto automático adaptativo – ACC
  • Assistente de tráfego – TJA
  • Assistente integrado de cruzeiro – ICA
  • Assistente de farol alto – HBA
  • Freio automático de emergência – AEB
  • Assistente de manutenção de faixa – LKA
  • Alerta de mudança de faixa – LDW
  • Alerta de colisão frontal – FCW
  • Alerta de colisão traseira – RCW
  • Alerta de tráfego cruzado traseiro – RCTA
  • Detecção de ponto cego – BSD

Como itens de série, o T1 ainda inclui de série:

  • Distribuição eletrônica de força de frenagem (EBD)
  • Assistente de frenagem de emergência (EBA)
  • Assistente de saída em rampa (HHC)
  • Assistente de descida (HDC)
  • Assistente de tráfego (TJA)
  • Freio automático de emergência (AEB)
  • Ar-condicionado automático de duas zonas com difusores traseiros
  • Saída de ar no apoio de braço dianteiro.

E restringe os seguintes equipamentos a versão de topo, Premium:

  • Carregador indutivo de 50W
  • Banco do motorista com ajuste elétrico de 10 posições e memória
  • Seletor de marchas em cristal
  • Teto Solar Panorâmico
  • Sistema de som Sony
  • Luzes ambiente com cores selecionáveis
  • Projeção a laser de LED nos espelhos retrovisores

Deixou a desejar pela ausência de 4x4?

Marcela Cavirro/Mobiauto

Marcela Cavirro/Mobiauto

No geral, o Jetour T1 chega ao mercado como mais um concorrente na briga de SUVs eletrificados chineses. Embora ele traga com ele a proposta off-road, ela é predominante no visual e não se destaca na performance.

Mas é inegável que o modelo chega como uma opção diferente do usual, que foge das tendências chinesas de design e possui um apelo muito querido pelos brasileiros, que é do visual de “jipe”, por exemplo.

E ter como atrativo os bons itens de série, espaço de sobra interno e o motor híbrido que contribui para um bom consumo energético, contribuirão para que o SUV se destaque na briga da categoria, para quem busca um SUV para família na faixa de preço dos R$ 250 mil.

Jetour T1 2026 – Ficha técnica

Motorização: Sistema Híbrido Plug-In (PHEV).

Motor a combustão (Turbo): 135 cv de potência e 20,4 kgfm de torque.

Motor elétrico: 204 cv de potência e 31,6 kgfm de torque.

Bateria de alta capacidade de 26,7 kWh.

Transmissão 1-DHT.

Dimensões e capacidades: Comprimento de 4705 mm, largura de 1967 mm e altura de 1843 mm, distância entre eixos: 2800 mm. Porta-malas: 574 L (normal) e 1455 L (máxima). Tanque de combustível: 70 L.

Vão livre em relação ao solo: 190 mm.

Ângulos de ataque e saída: 28°.

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