Fiat Cronos muda na linha 2026, mas o sedã parou no tempo?

Até então vice-campeão do segmento, modelo passa por apuros em 2025

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08.09.2025 às 14:59

Cronos. Na mitologia grega o senhor absoluto dos minutos e das horas, o Titã do tempo. No Brasil, o Fiat Cronos é um sedã compacto importado da Argentina e que foi lançado por aqui em 2018. O tempo, por sua vez, fez bem ao modelo. Ao menos nas vendas. Rateou nos primeiros anos devido à grande concorrência, é verdade. Mas, a partir de 2021, o Cronos começa a frequentar o pódio do segmento, sendo vice-campeão nos últimos três anos (só atrás do campeão Onix Plus).

Em 2025, no entanto, tem sido difícil. Mesmo com a primeira mudança relevante na linha 2026 ― depois de longos sete anos ―, o três volumes caiu para o 4º lugar na categoria ― atrás do próprio Onix Plus, Virtus e HB20S, respectivamente. Será que o sedã parou no tempo?

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A atualização na linha 2026 trouxe poucas mexidas no visual, porém deram uma nova cara ao carro ― literalmente. O primeiro fator são os faróis full-LED nesta versão topo de linha Precision, que custa R$ 119 mil cravados. Além disso, há uma assinatura remodelada do DRL, agora em uma forma, digamos, pontilhada semelhante ao hatch Argo.

Reprodução/Mobiauto

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Já a nova grade, com blocos tridimensionais distribuídos horizontalmente e com detalhes cromados, conecta os faróis. O para-choque também segue a mesma linguagem, mas agora traz elementos verticais em suas extremidades para ampliar o sentido de largura e robustez.

Atrás, por sua vez, mudanças imperceptíveis e o arranjo das lanternas permanece igual. O facelift é completado pelas rodas aro 16, que surgem com um novo desenho. Modificações visuais pontuais, mas depois de sete anos, o Cronos merecia mais.

O interior também merecia mais atenção. É praticamente o mesmo de sete anos atrás. Só os acabamentos e o teto foram escurecidos. Continuam as antiquadas saídas de ar, o desenho do painel, o cluster com visor TFT de 3,5 polegadas tem interface ultrapassada e ladeada por mostradores analógicos e a central multimídia, nos dias atuais, parece uma azeitona no oceano - tem “apenas” 7 polegadas e bordas grosseiras. Carregador por indução, por exemplo, é um acessório que custa mais de R$ 1.200.

Reprodução/Mobiauto

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O que continua igual (e isso é bom) é o espaço interno. Os 2,52 metros de entre-eixos são bem aproveitados e há uma ótima área para quem viaja nos bancos de trás. O assento do meio, como de costume, é mais estreito. Sem falar no gigantesco porta-malas que consegue levar ótimos 525 litros.

Como anda?

O conjunto formado pelo motor 1.3 aspirado com a transmissão automática CVT consegue aliar conforto e consumo. A cidade, claro, é o habitat. O quatro cilindros com até 107 cv funciona tranquilamente com o câmbio CVT no dia a dia.

Se você for pegar a estrada, fique atento às retomadas de velocidade. Os máximos 13,7 kgfm de torque são entregues a altos 4.000 giros. Tenha paciência, tome o tempo necessário na hora de ultrapassar e certifique que há um bom espaço para fazer a manobra.

Ao pressionar mais fundo no pedal da direita, o motor Firefly “grita” e parece estar sendo estrangulado. E o resultado é ganho de velocidade bem linear (e demorado). O CVT eleva a rotação para entregar potência e o barulho na cabine é bem alto. Nem o botão Sport, que entrega uma resposta mais rápida de acelerador, salva. Melhora, mas não muito.

Em velocidades de cruzeiro, entre 90 km/h e 120 km/h, o convívio é mais tranquilo e a rotação não incomoda. O desempenho fica em segundo plano. Tanto que são necessários cerca de 12 segundos para atingir os 100 km/h partindo da inércia.

Vale lembrar que a dupla Cronos e Argo são os únicos que não receberam o 1.0 turbo de até 130 cv que está em Pulse, Fastback e até na Strada. Hatch e sedã compactos, por sua vez, seguem sem o motor.

Ao menos o sedã é econômico e chega perto dos 15 km/l com gasolina em trajeto rodoviário, segundo o Inmetro. Na cidade, a média é de 12,6 km/l. Com etanol, os números caem para 10,7 km/l e 8,9 km/l, respectivamente.

A direção, para o meu gosto, é demasiadamente leve e desmultiplicada tanto na cidade quanto na estrada. É ótima para fazer manobras, mas deixa a desejar no feeling do carro - não que o Cronos seja feito para isso, porém poderia ser um pouco mais precisa.

A Fiat demorou para mexer no Cronos e, quando modificou, foi bem discretamente. Tanto que, desde a atualização, as vendas não seguem como o esperado. Os rivais ficaram modernos, com diversos dispositivos de segurança, seis airbags de série, motorização turbo, telas e painéis digitais modernos. Não dá para dizer que o Cronos parou no tempo, mas o tempo está passando bem devagar.

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