China aprova medidas anti-incêndios e anti-explosões para elétricos
Novo padrão é a primeira diretriz global de segurança para baterias e preveem resistência a 300 curtos-circuitos subsequentes
Existem vários mitos sobre os veículos elétricos e um deles difunde que os EVs são uma espécie de bomba-relógio, prontos para explodir e se incendiarem de tal forma e com tal intensidade que nem toda água do mundo seria capaz de apagar suas chamas.
No Brasil, onde os fabricantes antigos seguem desovando seus produtos mais ultrapassados, equipados com motores a combustão interna, este estribilho é entoado para botar medo no consumidor e o direcionar para modelos equipados com motores a combustão interna, que são ofertados por R$ 150 mil, R$ 210 mil.
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Mas, do outro lado do mundo, as novas marcas chinesas são pautadas pelo futuro e, seguindo seu ritmo acelerado de sua indústria, o Ministério da Tecnologia da Informação (MIIT) de lá anunciou padrões nacionais de segurança para baterias que entram em vigor daqui um ano, em 1º de julho de 2026, como a primeira norma global para evitar incêndios e explosões, mesmo após ocorrer fuga térmica interna.
“São atualizações abrangentes e que colocam a China, firmemente, na vanguarda da segurança de veículos elétricos”, avalia o vice-presidente da IDTechEx, consultoria que fornece dados sobre tecnologia e mercados emergentes, Dr. James Edmondson.
O novo padrão introduz testes de impacto no assoalho para avaliar as capacidades de proteção da bateria, quando a parte inferior do automóvel é atingida em uma colisão, e de segurança do ciclo de carga rápida, exigindo que as células resistam a 300 curtos-circuitos subsequentes, sem incêndio ou explosão.
Os testes de difusão térmica (com condições predefinidas de temperatura da bateria, status de energia e tempo de observação) foram atualizados e há padrões mais rigorosos de isolamento, inclusive para baterias conectadas a circuitos CA, e extrusão (com novas exigências de resistência).
“São normas muito mais rigorosas, em relação a fugas térmicas em EVs, do que as exigidas em outros países. Aliás, é bom destacar que, em muitos mercados, esses padrões ainda estão sendo rascunhados, ou revistos e atualizados, não sendo uma regulação obrigatória”, destaca o executivo.
“A mudança mais significativa da nova norma são os requisitos do teste de difusão térmica: enquanto o padrão anterior exigia apenas um sinal de alerta, cinco minutos antes do incêndio ou explosão, a regulamentação atualizada determina que as baterias, simplesmente, não devem pegar fogo ou explodir, mesmo durante eventos de descontrole térmico. Além disso, a fumaça gerada não deve intoxicar os ocupantes do veículo”, complementa Edmondson.
Custos e consolidação
Reprodução/Mobiauto
O arrocho regulatório aumenta significativamente a segurança do usuário, ao mesmo tempo em que acelera a virada da eletromobilidade, colocando ainda mais pressão sobre as montadoras antigas, que ficam cada vez mais para trás das novas marcas chinesas.
Fabricante líder no fornecimento de baterias para EVs, a CATL, afirma que sua tecnologia Sem Propagação Térmica (NP), de primeira geração, está em produção desde 2020 e que a marca está pronta para atender aos novos padrões.
“As novas exigências reduzem, efetivamente, o risco de incêndios em veículos de nova energia, protegendo os consumidores”, disse o diretor de tecnologia (CTO) da companhia, Gao Huan, enfatizando que o cumprimento desses requisitos exige sinergia entre montadoras e fabricantes de baterias.
O anúncio do MIIT pode ser considerado uma pronta resposta a questões levantadas, em março, quando um Xiaomi SU7 se incendiou após um acidente, episódio que teve grande repercussão – vale citar que as causas do acidente e do incêndio ainda estão sob investigação.
“Embora essa regulamentação possa aumentar os custos de desenvolvimento para pequenas e médias empresas, potencializando uma consolidação do mercado a curto prazo, os benefícios para o setor são substanciais”, pontua Huan. “O incremento da segurança reduzirá, em última análise, os custos ocultos relacionados a seguro e manutenção, gerando ainda mais valor”, complementa.
Sobre a nova exigência de que os sistemas passem por testes externos de curto-circuito, após 300 ciclos de carga rápida, Dr. James Edmondson, da IDTechEx, destaca a questão da confiabilidade.
“A recarga rápida acelera o envelhecimento das células, tornando-as mais vulneráveis a falhas e descontrole térmico. Para atender à nova exigência, as montadoras precisarão investir em materiais mais robustos, sistemas de resfriamento e gerenciamento mais avançados. Isso, certamente, aumenta os custos de desenvolvimento, obrigando as montadoras a priorizar a durabilidade a longo prazo, além do desempenho, o que é bastante positivo para o consumidor final”, sublinha.
Como o leitor mais familiarizado com os EVs sabe, prevenir fugas térmicas é fundamental para o futuro da eletromobilidade e, na medida que a adoção de veículos elétricos acelera em todo o mundo, garantir a segurança das baterias não se resume apenas a construir confiança a longo prazo na tecnologia em si, mas também à proteção dos consumidores. É mais um ponto em que os chineses pulam na frente dos antigos fabricantes ocidentais, reforçando sua posição de liderança em novas energias.
Este texto contém análises e opiniões pessoais do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião da Mobiauto.
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