Teste: Qual o objetivo do carro mais caro da GWM no Brasil?

Wey 07 de 517 cv e R$ 429.000 aposta no custo-benefício para entrar no mercado premium

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23.10.2025 às 09:00 • Atualizado em 24.10.2025

Haval, Ora, Tank, Poer e agora a Wey. A GWM é conhecida por ter várias submarcas que oferecem diferentes produtos para atender diferentes públicos no Brasil. E agora chega mais uma para explorar um terreno até então inédito para a marca chinesa: a de veículos premium. O Wey 07, de R$ 429.000, será o modelo mais caro da Great Wall Motors no Brasil e quer medir forças com nomes consagrados, como BMW, Audi e Mercedes, além de Lexus e Porsche. Será que consegue?

Para isso a GWM reuniu algumas boas características. Além do preço, o SUV carrega uma nomenclatura de peso. Isso porque Wey é o sobrenome do fundador e proprietário da GWM, Jack Wey. Que responsabilidade... O utilitário aposta ainda em outros três pilares: espaço, conforto e tecnologia.

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Antes, no entanto, vamos falar do visual. A dianteira lembra muito o BMW X7 com o conjunto ótico em dois andares: em cima, as afiladas luzes DRL de LED e, embaixo, os faróis de projeção full-LED matriciais. O para-choque dá um aspecto robusto ao SUV, mas é liso e parece o de um carro elétrico, sem aberturas e recortes. Na lateral, chamam atenção as rodas de 21 polegadas calçadas em pneus 265/45 e com um desenho bem similar às da Audi. As maçanetas embutidas dão um toque de requinte.

Já a traseira, talvez, seja a parte com mais personalidade do SUV. Isso porque as lanternas são grandes, integradas e acendem totalmente, formando uma assinatura luminosa que chama bastante atenção à noite. Vale dizer também que as setas têm luzes dinâmicas - em vez de piscar, elas acendem de "dentro para fora" de forque sequencial.

Outro ponto a favor do SUV é o seu tamanho. São medidas generosas, como 5,15 metros de comprimento e nada menos que 3,05 m de distância entre-eixos. É o porte de um Kia Carnival, por exemplo. E o GWM traz um pouco mesmo esse conceito de minivan: a capacidade é para levar seis pessoas - na proporção 2+2+2.

Divulgação/GWM

Divulgação/GWM

E para mover isso tudo, a GWM escolheu uma motorização híbrida plug-in. A parte a combustão fica a cargo de um motor 1.5 turbo a gasolina que trabalha em conjunto com duas unidades elétricas - uma em cada eixo. Potência? Combinados, os motores fornecem imponentes 517 cv de potência e 83,6 kgfm de torque. De acordo com a GWM, a aceleração de 0 a 100 km/h é feita em 4,9 segundos. É mais rápido que muito esportivo por aí e com exatos 2.545 kg de peso.

O sistema é alimentado por um bateria grande, de 42,5 kWh - maior até que a do Haval H6 PHEV, que tem 34 kWh. Segundo a medição do Inmetro, a autonomia elétrica é de 128 km. Lá fora, no WLTP, o número chega a 185 km. Em corrente alternada (AC), a bateria carrega até 6,6 kW - de 15% a 100% em cerca de 6h30min. Já em corrente contínua, o Wey 07 aceita até 60 kW - bateria vai de 30% a 80% em 26 minutos.

Por dentro, a palavra é minimalismo. O interior não tem botão de partida e a alavanca de câmbio é igual à dos Mercedes-Benz: haste direita no volante. A cabine é dominada pela tela de 12,3 polegadas do painel de instrumentos e de 14,6" da central multimídia, que reúne todas as funções do carro.

O head-up display também traz bastante informação. Há poucos botões físicos na parte de baixo. Outro destaque é a chama thermal box, um compartimento no console central que pode resfriar até -6° ou esquentar até 50°. Há, claro, entradas USB do tipo A e C.

Divulgação/GWM

Divulgação/GWM

O acabamento é primordialmente de Nappa por todas as partes e também há partes em aço escovado. Traz um refinamento, especialmente na versão com cor marfim. A outra opção, preto, é mais sóbria e talvez não tão requintada quanto o tom mais claro.

O Wey 07 também tem um pacote de segurança interessante. São seis airbags, mas o destaque vai para os 22 sensores (cinco radares, 12 ultrassônicos e cinco câmeras), que fazem o SUV ter um sistema de condução semiautônoma com controle de cruzeiro adaptativo, assistente de faixa, frenagem autônoma de emergência, estacionamento automático e visão panorâmica 540° com chassi transparente.

De carona

DIvulgação/GWM

DIvulgação/GWM

O test-drive do Wey 07 começou de uma maneira não muito convencional: na segunda fileira. Mas logo deu para perceber que talvez este seja o melhor lugar do SUV. Primeiro porque os bancos são confortáveis e misturam as conveniências de spa e avião.

São dez ajustes elétricos, apoios de pernas e lombar, dois modos de massagem com dois níveis de intensidade, ventilação e aquecimento independentes, persianas retráteis para privacidade e uma mesinha retrátil (posicionada atrás do encosto do banco do motorista). Ou seja, dá para ficar várias e várias horas ali.

DIvulgação/GWM

DIvulgação/GWM

Mas a obrigação profissional me faz pular para o banco do motorista e assumir o volante do SUV chinês. No curto trajeto, deu para perceber a pujança do 07. Os 517 cv e os mais de 80 kgfm de torque falam alto ao apertar o pedal do acelerador com mais ênfase.

O SUV de mais de três toneladas arranca formidavelmente. Nem parece que precisa de tanta força para tirar a efusiva massa da inércia. Com direito a launch control, foi possível arrancar com o Wey em uma pista de um aeroporto particular na região. O velocímetro digital atinge rapidamente 100 km/h e no final da reta atingo a máxima: 199 km/h. Ultrapassagens na estrada se tornam fáceis e sem precisar de muito espaço.

Em um improvisado slalom também no aeroporto foi possível perceber que a carroceria não oscila muito e o peso da direção também passa uma resposta bem positiva para o motorista. Claro que o Wey de 5 metros de comprimento e três mil quilos não é feito para contornar como esportivos, mas o comportamento é bem adequado para a proposta.

Quesito de muita reclamação dos carros chineses em relação ao pavimento e ao gosto do brasileiro, a suspensão é bem acertada no Wey. A engenharia da marca aqui no Brasil “tropicalizou” o carro e fez um ajuste mais rígido para o SUV. Porém, nas péssimas estradas na chegada na cidade em Trancoso (BA), local do test-drive, o comportamento se mostrou bem parrudo para tentar suavizar o sacolejo dos ocupantes, sem batidas secas. Nem mesmo as rodas de 21 polegadas tiraram o conforto. Em estradas mais ou menos lisas, o SUV plana sem grandes preocupações.

Por fim, o Wey 07 traz bons atributos, como espaço, tecnologia, segurança e desempenho. É maior e mais barato que os rivais na faixa de preço de BMW, Mercedes e Audi. O problema é que as marcas premium, principalmente as alemãs, vendem status. A GWM vai ter que dar um jeito nisso.

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