Por que a Mitsubishi pode se safar de pagar 5 prêmios da Mega-Sena para o dono deste 3000GT

Entenda por que uma indenização bilionária pode não sair do papel

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31.12.2025 às 18:30

Imagine finalmente ter a sorte grande de ganhar na Mega da Virada. Agora, imagine ganhar cinco vezes seguidas. Foi mais ou menos esse o tamanho da conta que um júri colocou nas costas da Mitsubishi ao condenar a marca a pagar mais de US$ 1 bilhão por um grave acidente envolvendo um Mitsubishi 3000GT de 1992.

O acidente aconteceu em 2017, na Pensilvânia, nos EUA. Durante uma ultrapassagem, o motorista perdeu o controle do 3000GT, saiu da pista, bateu em três árvores e capotou. Mesmo usando cinto de segurança, ele acabou batendo a cabeça no teto e sofreu uma lesão gravíssima na coluna, ficando paralisado do pescoço para baixo.

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A família foi à Justiça alegando que o carro tinha dois problemas sérios: o desenho do teto, considerado baixo demais, e o sistema de cintos de segurança, que não teria protegido como deveria em um capotamento.

Divulgação/Mitsubish

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O júri aceitou essa tese e cravou a indenização bilionária, sendo a maior parte dela, cerca de US$ 800 milhões, em danos punitivos, aquele tipo de multa que serve mais para “dar um recado” à empresa do que para cobrir despesas médicas.

Para se ter ideia, de todo o montante bilionário, pouco mais de US$ 156 milhões seriam destinados a indenizações diretamente ligadas ao acidente. Esse valor incluía o reembolso de despesas médicas já realizadas, custos de cuidados permanentes que a vítima precisaria ao longo da vida, compensação pela perda da capacidade de trabalho e valores relacionados a danos morais, como dor, sofrimento e impacto psicológico de longo prazo.

Convertendo a multa total de dólares para reais, temos mais de R$ 5,6 bilhões, valor ultrapassa cinco prêmios da Mega da Virada, que neste ano atingiu o valor histórico de R$ 1 bilhão, o maior da história do sorteio.

Esse seria o valor que o dono do carro e a família iriam ganhar. Porém, a história virou bem rápido.

Onde tudo começou a desandar

A Mitsubishi recorreu e conseguiu um ponto-chave a seu favor: o Tribunal de Apelação decidiu que o júri de primeira instância não foi corretamente instruído a analisar, de forma objetiva, se as lesões teriam sido menos graves caso o carro tivesse outro tipo de projeto.

Em outras palavras, o tribunal entendeu que o julgamento pulou uma etapa importantíssima.

Divulgação/Mitsubish

Divulgação/Mitsubish

Outro ponto que pesa a favor da marca é que o 3000GT atendia às normas de segurança da época, principalmente levando em conta que o carro foi projetado nos anos 90, com regras bem diferentes das atuais.

Resultado: a sentença foi anulada. O caso vai para um novo julgamento, com a família tendo que começar praticamente todo o processo do zero.

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Pedro Rocha é formado em Jornalismo, na Anhembi Morumbi, em São Paulo. É um amante de carros e contribuiu com Mobiauto durante 2024.

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