Novo Renault Boreal é tecnológico e conquista pelo design contra Corolla Cross

Inédito SUV médio chega com 163 cv, três versões e preços começam em R$ 180 mil

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06.11.2025 às 16:00

A aurora boreal é um fenômeno natural que resulta em um belíssimo jogo de luzes no céu. E foi esse o nome que a Renault escolheu para batizar seu inédito SUV médio que estreia agora no Brasil. O Renault Boreal também quer ser um fenômeno. Mas de vendas. Para isso, aposta na junção do design afiado, espaço e tecnologias. Os concorrentes, no entanto, também são muito iluminados. Será que o boreal vai conseguir causar um impacto?

Produzido no Brasil, o Boreal é resultado de um investimento de R$ 2 bilhões da marca francesa por aqui, especialmente na fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná. Da mesma família do Kardian e da futura picape média Niágara, o SUV chega em três versões de acabamento: Evolution (R$ 179.990), Techno (R$ 199.990) e a topo de linha Iconic (R$ 214.990).

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Em comum para todas as configurações está o motor - sem eletrificação. Trata-se do quatro cilindros 1.3 turboflex. É o mesmo que equipa o Duster, Oroch e também o Mercedes-Benz GLA. É fornecido pela Horse, tem 163 cv de potência e 27,5 kgfm de torque (com etanol). A transmissão é igual do Kardian: dupla embreagem e seis marchas banhado a óleo da Getrag. Com tração dianteira, o Boreal vai de 0 a 100 km/h em 9,5 segundos, de acordo com a Renault.

Segundo o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular do Inmetro (PBEV), o Boreal registrou médias de 11,2 km/ na cidade, 13,6 km/l na estrada com gasolina e 7,8 km/l e 9,4 km/l, respectivamente, com etanol.

Ao mesmo tempo

Além do preço competitivo frente a Jeep Compass e Toyota Corolla Cross, o grande destaque do Boreal é o design, bem diferente dos Renault vendidos atualmente no Brasil - até do recente Kardian. O conjunto óptico se divide nas luzes diurnas em cima (e que também é o nicho da seta), os faróis de posição estão embaixo, mas tem mais uma assinatura de LED na parte debaixo e também na grade.

Raphael Panaro/Mobiauto

Raphael Panaro/Mobiauto

Falando nela, dá para perceber que ela mistura um aspecto bem robusto, mas ao mesmo tempo requintado. A Renault diz que as aberturas parecem o formato de diamante. Mais ou menos. No centro está o novo logotipo. Já na parte inferior do para-choque existe uma espécie de saia prateada que dá o toque final. E nas extremidades estão posicionados os faróis de neblina. O visual é todo geométrico, não existe uma parte arredondada, o que dá um aspecto bem agressivo para a dianteira.

O Boreal é feito sobre a plataforma RGMP, mesma do Kardian e também da futura picape média. O SUV tem 4,56 metros de comprimento. Ou seja, ele é 16 cm maior que o Compass e 10 cm que o Corolla Cross. No entre-eixos também leva vantagem. Com 2,70 m, são 6 cm a mais que os rivais diretos. O VW Taos chega perto, com 2,68 metros.

As rodas são de 19 polegadas diamantadas (na versão mais cara) e as caixas de rodas trazem aplique plástico para dar um aspecto mais robusto. Destaque ainda para as maçanetas traseiras que são integradas na moldura da janela - à la Honda HR-V. Na coluna C a Renault deu um toque estético refinado colocando uma peça plástica prateada em vez de ser a carroceria normal, em aço.

Raphael Panaro/Mobiauto

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A traseira, apesar de ser mais simples que a dianteira, também transmite uma sensação de requinte. E mais “clean”, especialmente nas lanternas afiladas que invadem a lateral. E pasmem: elas não são interligadas por uma barra iluminada, tendência dos SUVs atuais. Há ainda um spoiler integrado ao teto e no para-choque mais um moldura plástica cheia de recortes retos. Nas extremidades, estão posicionadas as luzes de ré - pelo o menos não são as setas, mas elas poderiam estar mais acima.

Nem falta, nem sobra

Depois do nome relevado em abril, finalmente era chegada a hora de andar no Boreal. Mas antes de falar de desempenho e dinâmica, vale um destaque para a posição de dirigir. A ancoragem mais baixa do banco faz com o SUV tenha uma ergonomia de sedan. Na posição mais baixa do ajuste você não fica tão alto quanto na maioria dos utilitários que você consegue enxergar o capô inteirinho. Claro, se você quiser uma posição de juiz de tênis, só levantar o assento (que tem ajuste elétrico e massagem).

Raphael Panaro/Mobiauto

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No test-drive de São Paulo até a conhecida cidade de Campos do Jordão, o Boreal teve um ótimo comportamento. O motor 1.3 turbo consegue lidar com os 1.438 kg da versão topo de linha que carrega todos os equipamentos. As acelerações e retomadas são consistentes e lineares. Não espere que o Boreal dispare assim que você afunde encoste o pedal da direita no assoalho. Não falta, nem sobra.

É mais que o suficiente para o dia a dia e não media para fazer ultrapassagens na estrada sem precisar de tanto espaço. O câmbio faz um trabalho excelente com trocas rápidas e nos momentos certos. Em um dos cinco modos de condução, o Sport, a resposta do acelerador fica mais responsiva e os giros mais elevados. Porém, nada que surpreenda ou demande uma tocada mais entusiasmada. Os freios a disco nas quatro rodas são bem precisos e não dão sustos.

Raphael Panaro/Mobiauto

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O comportamento na estrada foi surpreendente. O Boreal é bom dirigir, o peso e o feedback da direção deixa o motorista seguro (mesmo em velocidades mais altas) e o acerto de suspensão garante que a carroceria não role perigosamente. O conjunto traseiro, por sua vez, é por eixo de torção - igual ao Corolla Cross - e não tão refinada quanto a multilink do Jeep Compass. Claro que as emendas de ponte e alguns buracos são mais sentidos, mas no geral não afetam tanto o conforto assim.

Raphael Panaro/Mobiauto

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Quem viaja atrás ainda desfruta de um bom espaço, saídas de ar-condicionado e duas entradas USB-C. O porta-malas é gigante, são 522 litros. Abertura e fechamento, claro, são elétricos.

Outro destaque é o completo sistema de segurança. São 24 recursos que vão desde controle de cruzeiro adaptativo com função anda, passando por frenagem de emergência, estacionamento semiautônomo e até alerta de saída segura dos ocupantes, que utiliza os dois radares laterais traseiros para identificar veículos vindo de trás no momento, alertando de forma visual e sonora aos ocupantes antes de desembarcarem do veículo.

Raphael Panaro/Mobiauto

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Pudemos testar o sistema de manutenção de faixa com ACC e de direção ativa que faz pequenas curvas com muita precisão e ainda mantém o SUV dentro da pista.

E o interior faz jus ao nome. Há luzes indiretas no painel das portas e também no console central. Elas mudam de cor de acordo com o modo de condução ou você tem a opção de escolher nada menos que 48 tons. Já o painel de instrumentos com tela de 10 polegadas é de alta resolução e pode ser personalizado. Um dos itens mais interessantes é poder espelhar as direções do Google Maps no visor logo a sua frente e não ter que desviar o olhar para a tela também de 10” do multimídia.

Esta, por sua vez, traz o sistema Google integrado. Ou seja, dá para instalar diversos aplicativos. É fácil de mexer, intuitiva, mas os grafismos podiam ser mais rebuscados com o carro por inteiro. Quem preferir espelhar o Apple Carplay ou o Android Auto (sem fio) também tem essa opção.

Raphael Panaro/Mobiauto

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A central fica no painel que traz um ótimo acabamento, como diversos materiais e texturas. Todas são agradáveis ao toque e ao olhar. Só os bancos azuis parecem bonitos inicialmente, mas podem ficar enjoativos com o tempo. A cor fica restrita à versão Iconic e independe do tom escolhido para a carroceria.

Na Europa, a Renault vende o SUV Austral, nome que se dá ao mesmo fenômeno, mas no Hemisfério Sul. Talvez esta fosse a melhor nomenclatura para o Brasil. Independentemente do nome, o Boreal (e o Kardian) tem uma só missão: colorir o novo caminho da Renault na América do Sul. Porque a direção está certa.

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