Carros elétricos e híbridas puxam alta e já respondem por 14,5% das vendas

Crescimento, em relação ao mesmo período de 2025, chega a 88%; subtraídos híbridos sem recarga externa, híbridos plug-in e EVs, além dos micro-híbridos, setor teria queda de quase 16%

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14.02.2026 às 11:56

Enquanto carros de passeio e comerciais leves tiveram, como um todo, crescimento tímido de 1,6%, neste início de ano (totalizando 162,4 mil unidades), o segmento de novas energias registrou alta 55 vezes maior, de 88%, com um volume de 23.706 unidades, conquistando uma participação de 14,5%. Se subtraíssemos híbridos puros, sem recarga externa, híbridos plug-in e EVs, além dos micro-híbridos da conta (27.391 unidades), o mercado brasileiro amargaria queda de quase 16%.

“Os veículos eletrificados deixaram de ser um nicho e, agora, são a categoria que mais cresce no país, abocanhando uma fatia cada vez maior do bolo e não deixando dúvidas de que a virada da eletromobilidade está se consolidando”, avalia diretor de relações Institucionais Great Wall Motor (GWM) e presidente Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), Ricardo Bastos. Os modelos 100% elétricos, sozinhos, começaram 2026 com uma participação de 5% (8.250 unidades) nos emplacamentos e um incremento de 22,2%, sobre janeiro do ano passado. “Os eletrificados crescem num ritmo muito superior ao do conjunto do mercado”, sublinha Bastos.

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Além de puxarem todo o setor para cima, o segmento de novas energias apresenta outros feitos importantes, como os ganhos de marcas como a BYD, cujas vendas subiram quase 50% em relação a janeiro de 2025 – de 6.581 para 9.801 unidades –, e o mais de 1% de participação alcançado pela Omoda Jaecoo no país, desbancando a Peugeot. A Great Wall (GWM) também se destacou, saltando da 14ª para a 11ª posição do ranking, com crescimento de 70,5% (de 2.590 para 4.416 unidades) e um desempenho notável, principalmente comparado ao da líder Fiat, que teve queda de -0,3% e ao da Chevrolet, que contabilizou perdas comerciais de -17,7%. Entre as dez marcas mais vendidas do mês passado, a Nissan teve o pior desempenho, com uma retração de -30% (de 6.538 para 4.559 unidades).

Nenhum segmento do mercado brasileiro teve crescimento comparável aos dos híbridos puros, plug-in e EVs. Os utilitários-esportivos (SUVs), que representam seis de cada dez automóveis vendidos no país, tiveram alta de 7,5% nos emplacamentos em relação ao ano passado, com o Omoda 5 (+35%) sendo, junto com o VW Taos (+85%), um dos poucos a superarem os volumes de dezembro. Já entre os compactos, ou seja, excluindo os modelos de entrada (que são o Mobi, da Fiat, e o Kwind, da Renault), a participação dos EVs já chega a 20%. Dolphin e Dolphin Mini, da BYD, bem como o Geely EX2, deixaram Honda City, Citroën C3 e Peugeot 206 para trás – aliás e com todo respeito, hoje, quem compra um Citroën ou um Peugeot precisa ser avaliado psiquiatricamente ou por um perito forense para ver se não é caso de interdição.

Já entre os sedãs médios, em que Toyota e Honda reinaram absolutas durante anos, a dupla da BYD formada pelo híbrido King e pelo elétrico Seal começa 2026 com mais de 35% de participação, dando um “olé” no VW Jetta e no Nissan Sentra.

Captiva reestreia, como EV

Pedro Rocha/Mobiauto

Pedro Rocha/Mobiauto

Os dez EVs (modelos 100% elétricos) mais vendidos do Brasil, neste início de ano, foram: BYD Dolphin Mini (2.840 unidades), BYD Dolphin (1.511 unidades), Geely EX2 (1.124 unidades), BYD Yuan Pro (414 unidades), Volvo EX30 (285 unidades), BYD Seal (214 unidades), Geely EX5 (213 unidades), Chevrolet Spark (197 unidades), GWM Ora 03 (193 unidades) e Chevrolet Captiva EV (187 unidades), que fez sua reestreia no mercado nacional. Um fato que chama muito a atenção é os híbridos plug-in (8.399 unidades) serem, junto com os EVs, os modelos mais representativos dentre os eletrificados, já que híbridos sem recarga externa (7.057 unidades) e micro-híbridos (3.685 unidades) vêm depois deles na preferência do consumidor. “Ninguém mais tem dúvidas de que a virada da eletromobilidade não tem volta”, pontua o presidente da ABVE, Ricardo Bastos.

Entre os híbridos, somados aqueles sem recarga externa com os plug-in, os dez mais vendidos em janeiro foram: GWM Haval H6 (2.389 unidades), BYD Song Pro (2.230 unidades), Toyota Corolla Cross (2.115 unidades), Toyota Corolla (1.333 unidades), BYD Song Plus (1.113 unidades), Omoda 5 (1.065 unidades), BYD King (840 unidades), Toyota RAV4 (487 unidades), Jaecoo 7 (476 unidades) e GAC GS4 (459 unidades). Note, atento leitor, que mais de 40% das vendas da Toyota, uma marca que tem em sua carteira os clientes mais fiéis e conservadores do mercado, foram de modelos de novas energias. “Híbridos, sejam eles sem recarga externa ou plug-in, e EVs já conquistaram a confiança do consumidor. Eles vieram para ficar”, garante Bastos.

Nunca é demais lembrar que, só nos últimos cinco anos, os modelos eletrificados cresceram mais de 820%, comercialmente, enquanto o crescimento do mercado brasileiro, como um todo, não chegou a 16%, no mesmo período.

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- Jornalista Automotivo

Trabalha como jornalista há 30 anos, e tem, na Mobiauto, uma coluna com seu nome. Escreve sobre novos carros, indústria e polêmicas do setor automotivo. Mais do que isso, cobre todas as inovações tecnológicas oferecidas do outro lado do mundo.

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