1º carro da chinesa Chery tinha base de Golf e motor de Escort há 30 anos
Marca chinesa teve início tímido no fim da década de 1990, e apostava em receita nada convencional
O grupo Chery foi fundado em 1997, e ainda estava distante de ser a potência chinesa que é hoje. Atualmente, o grupo conta com a operação sino brasileira no Brasil Caoa Chery, e tem o trabalho independente de outras marcas como Omoda & Jaecco e Jetour.
Concentrada hoje na produção de carros elétricos e híbridos para o mercado local e para exportação, como o caso do Brasil, a Chery teve um início diferente, apostando em carros a combustão com uma receita peculiar.
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Em 1999 a Chery lançava o Fengyun (ou Fulwin, nome que até hoje é possível encontrar em alguns de seus veículos). Tratava-se de um sedan também conhecido como A11, foi criado sem aprovação governamental e que contribuiu para que o mercado chinês desses novos passos para as joint venture estrangeiras.
O Fengyun usava a arquitetura de um Seat Toledo, fabricado entre 1991 e 1999. Os entusiastas devem lembrar que a Seat pertence ao Grupo Volkswagen, e que, mais do que isso, o Toledo é produzido sobre a plataforma A2, mesma de Volkswagen Golf e Jetta, de segunda geração - fabricados na década de 1980.
Ao que tudo indica, o modelo foi feito por meio de acordos secretos com fornecedores de peças, que eram os mesmos de FAW-VW. Até mesmo a compra do projeto do Seat Toledo pode ter sido feita em segredo. E quem teria feito tudo isso foi Yin Tongyao, que trabalhava para a joint venture chinesa da Volkswagen, e que chegou a ser perseguido pelo governo de Wuhu, na província de Anhui. Mas Mobiauto não conseguiu confirmar a veracidade dessas informações, que com certeza deixaram a história ainda mais fora da caixinha.
Isso teria acontecido por causa das regulamentações rígidas do mercado automotivo chinês. Era complexa a entrada de novos players para disputa na venda de carros, tanto que a Chery ficou produzindo componentes automotivos por cerca de dois anos, desde sua inauguração até o primeiro carro sair da linha de montagem.
E mesmo assim, ainda em 1999, a marca chinesa não tinha autorização para comercialização de veículos na China. Isso acontece apenas em 2001.
O Chery Fengyun, além da arquitetura alemã, tinha outro importante componente vindo do território europeu: o motor. O produto usava o propulsor 1.6 CVH da Ford, que em 1999 já era considerado ultrapassado no Reino Unido. Mais uma vez o engenheiro Yin entra na história, já que pode ter sido o responsável por comprar a linha de montagem da marca e colocado na fábrica da Chery em Anhui. O primeiro motor Ford instalado na base da Seat, dentro da Chery, deu-se em maio de 1999.
Ele rendia bons 88 cv de potência, e tinha código de produção SQR480. A transmissão era manual de cinco marchas. O motor foi usado apenas nesse produto no mercado chinês, mas a base dele foi utilizada nos Escort de terceira, quarta e quinta gerações, Fiesta de segunda e terceira gerações, Sierra e Orion de primeira, segunda e terceira gerações.
Também foi usado no mercado americano, em Ford Escort, Mercury Lynx e LN7 e Ford EXP.
O tempo de vida do 1.6 foi longo: 12 anos no total. Depois a usina foi substituída pelo conhecido Zetec na linha de montagem da Ford.
Quanto ao Chery-VW-Ford, ele trocou motorização duas vezes. Usou tanto um Tritec 1.6, que equipou modelos da Chrysler e Mini, quanto um Acteco 1.6, que chegou a equipar o Fiat Linea.
Foram cinco anos de marcado para o Chery Fengyun, que saiu de linha em 2006. Ao todo foram cerca de 30 mil unidades vendidas, e que colocaram a empresa no mapa dentro da China. Em 2002, por exemplo, a empresa já somava 50 mil unidades emplacadas. No ano seguinte, a Chery lançava o QQ, modelo popular e subcompacto que faria as vendas subirem ainda mais.
O sucesso de Fengyun só não foi maior porque a Chery demorou a ter liberação para comercialização de carros dentro da China. Com isso, teve de se acomodar no mercado da província de Anhui por anos, o que, com certeza, limitou o volume de vendas do produto, que tinha motor de Ford, corpo de VW e que queria entrar para a história.
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