Carro usado: por que a procura está tão grande e os preços só sobem?

Escassez de modelos zero-quilômetro e queda no poder de compra do brasileiro fazem crescer a procura por automóveis usados. Junto, aumentam os preços...
Por Camila Torres
17.09.2021 às 11h:00 • Att. há cerca de cerca de 1 mês
Escassez de modelos zero-quilômetro e queda no poder de compra do brasileiro fazem crescer a procura por automóveis usados. Junto, aumentam os preços...

Já ouviu falar em efeito dominó? O processo começou no topo da pirâmide da indústria automotiva, os carros zero-quilômetro. Modelos líderes de vendas seguem exibidos nas vitrines das concessionárias, mas com preços cada vez mais altos, frutos do combo formado por aumento de custos, inflação e dólar alto.

Além disso, devido à crise dos semicondutores, para levá-los para casa é necessário esperar meses, por vezes mais de seis. Quem não quer ficar na fila parte ao mercado de seminovos, o que ativa a famosa lei da oferta e demanda.

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Assim, o ano de 2021 segue com um cenário agridoce para o mercado automotivo. Se em 2020 as vendas despencaram por conta da pandemia, agora voltaram a crescer. E se o mercado de novos e seminovos já não consegue comportar a demanda, por conta das limitações de produção, as vendas de usados têm explodido. 

É aquela coisa: enquanto o país ainda precisa percorrer alguns bons quilômetros para se recuperar, o brasileiro que teve seu poder de compra reduzido precisou recorrer ao carro usado. 

Enquanto faltam carros zero-quilômetro e o segmento de seminovos é o próximo ameaçado de entrar em colapso, já que, sem carro novo, não tem seminovo, o setor de usados tem veículos suficientes para atravessar a crise.

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Já dizia o ditado: “Em terra de cego, quem tem um olho é rei”. O forte aumento na procura de carros usados nos dá um parâmetro de como o orçamento de muitos brasileiros diminuiu. Mesmo assim, os preços dos carros não param de subir. 

Para explicar tais fenômenos, a Mobiauto conversou com Ilídio dos Santos, presidente da Fenauto (Federação Nacional das Associações de Revendedores de Veículos Automotores) e com a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). 

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1. Por que a demanda por carros usados está tão alta e os preços subiram tanto?

Escassez de modelos zero-quilômetro e queda no poder de compra do brasileiro fazem crescer a procura por automóveis usados. Junto, aumentam os preços...

Vários agentes desencadearam o aumento da procura e preços de automóveis. Mas, diferente dos zero-quilômetro, os usados tiveram outros fatores contribuintes. Um verdadeiro efeito cascata. O presidente da Fenauto cita três.

O primeiro é o carro como proteção: “Com a diminuição da pandemia, o consumidor pensou em comprar um carro para não se expor ao contágio nos transportes públicos e carros de aplicativos”.

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O segundo é chamado de “troca por troco”: por conta da redução da renda de algumas famílias, consumidores têm trocado seus automóveis por um mais barato, para continuarem com um carro e ainda receberem parte do valor de volta.

O terceiro agente é a já conhecida lei de oferta e demanda. “As montadoras estão enfrentando dificuldades na linha de produção para abastecer o mercado. Quando um produto está em falta, mas a procura por ele é grande, o preço tende a aumentar”, finaliza o presidente.

 

2. Com preços tão altos, é melhor esperar para comprar carro ou os preços podem aumentar ainda mais?

“Na medida em que o mercado volte a ser abastecido com os carros zero, o mercado de seminovos e usados também tenderá a se estabilizar”, explica Lídio dos Santos.

Ele aconselha o consumidor a ponderar a situação para decidir o melhor momento de compra. “O cliente deve analisar se tem condições para comprar um veículo, se poderá arcar com esse investimento ou se pode esperar mais um pouco até a situação melhorar”, afirma. 

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3. Em tempos tão difíceis para o consumidor, há alguma saída para pagar menos ao comprar um carro?

Escassez de modelos zero-quilômetro e queda no poder de compra do brasileiro fazem crescer a procura por automóveis usados. Junto, aumentam os preços...

O presidente da Fenauto é categórico: “Enquanto não ocorrer a normalização na produção dos carros zero, atendendo a demanda que já existe, a tendência é que os consumidores procurem um seminovo ou usado. E, como já dissemos anteriormente, prevalece a lei da oferta e da procura, aumentando os preços”.

O executivo aponta o financiamento como um meio para quem não pode deixar de comprar carro agora: “Percebemos que o volume de financiamentos vem crescendo também, o que é um bom sinal. Então, ele pode avaliar essa opção. Outra sugestão é realizar um consórcio para a aquisição do carro, modalidade que permite um planejamento maior para ser concretizado”.

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Santos complementa dizendo que muitas coisas podem influenciar no momento de compra e venda: “Cada negociação vai depender de muitas variáveis, como o estado do carro, a procura por um determinado modelo ou se o cliente precisa fazer capital para pagar uma dívida”.

4. Com a situação da indústria normalizada, os preços vão diminuir?

Para essa pergunta, a resposta veio da Anfavea, que afirmou em tom enfático que não concorda com a tese de que haja um reajuste dos preços dos carros novos acima da média inflacionária.

“A alta dos preços é bem inferior à pressão de custos que o setor vem sofrendo desde o início da pandemia, com alta do dólar e uma alta generalizada de todos os insumos. Infelizmente, a escalada inflacionária não sugere nenhum alívio a curto e médio prazo nos preços gerais da economia, não só no dos carros”, afirmou o órgão, por meio de nota.

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A Anfavea escora sua argumentação no relatório Focus, que apresenta um aumento de 8,3% nos preços médios de carros zero-quilômetro entre junho de 2020 e junho de 2021, enquanto a inflação está acima de 35%, como mostra o IGPM. Materiais como resinas e elastômeros tiveram alta de 108%; plástico, 43,3%; borracha, 16,9%.

O mesmo relatório informa que carros seminovos, com ano-modelo de 2018 a 2021, tiveram reajustes entre 17,4% e 18,2%. Carros usados de 2011-2017 tiveram altas ainda mais expressivas, de 18,4% a 24,8%.

5.  Qual a previsão para a normalização completa da indústria automotiva?

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Questionada sobre como estará o mercado nos próximos meses, a Anfavea escolheu uma resposta curta: “A crise global dos semicondutores só deve ter um alívio no segundo semestre de 2022”.


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