Avaliação: Ford Ranger XLS 2.0 2024, a picape que roda 920 km por tanque
A Ford acaba de ampliar o leque de opções para a nova geração da Ranger 2024. A picape enfim passa a ser comercializada além das versões de topo, XLT e Limited. Com isso, dê boas-vindas à nova Ranger XLS 2.0 4x4 2024, configuração intermediária que herda as mesmas qualidades das variantes V6, mas com motor menos potente, porém não menos eficiente.
A marca do oval azul também revelou a versão para trabalho, Ranger XL, mas nosso primeiro contato foi com a versão XLS, que, sem dúvidas, vai mexer com o segmento intermediário de picapes médias.
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De primeira, podemos dizer que preço, equipamentos e a própria motorização serão boas alternativas nessa faixa de preço de picapes médias, pois a nova Ranger XLS não só briga com as rivais S10 e Hilux, como também com a futura Fiat Titano.
Nosso primeiro contato com a versão intermediária da picape foi com a Ranger XLS, versão que sem dúvidas chega para mexer com o mercado. Até porque ela chega em diferentes configurações de motor e transmissão, incluindo a possibilidade de usar motor V6, uma das surpresas da Ford durante o lançamento. Confira a lista:
- Ford Ranger XLS 2.0 4x2 2024 – R$ 234.990
- Ford Ranger XLS 2.0 4x4 2024 – R$ 259.990
- Ford Ranger XLS V6 3.0 4x4 2024 – R$ 276.990
Dito tudo isso, vamos agora aos pontos positivos da nova Ranger XLS 2.0 4x4 2024, e no que ela precisa melhorar em mais uma avaliação na Mobiauto.
Ford Ranger XLS 2.0 4x4 2024 – Pontos positivos
1) Motor e câmbio
Agora, a Ranger XLS 2024 vem equipada com o novo motor 2.0 turbodiesel, que substitui o antigo 2.2 turbodiesel da geração anterior. Aqui temos 170 cv de potência e 41,3 kgfm de torque, que estão disponíveis desde 1.750 rpm – mostrando força desde cedo, como manda a cartilha de um bom motor a diesel.
Em comparação ao antigo 2.2 turbodiesel, temos 10 cv e 2 kgfm a mais, mesmo com o deslocamento menor. Na prática, parece que a picape entrega muito melhor sua força. Em nosso breve contato, rodamos no circuito de testes da Ford, em Tatuí (SP), até mesmo em altas velocidades.
A Ranger XLS 2.0 traz uma aceleração progressiva interessante, mas que obviamente não chega ao nível de pujança do V6 de 3 litros. Seu papel é fazer da Ranger XLS uma picape de uso misto, podendo ser o carro do dia a dia e também do trabalho, quando necessário.
Vale destacar, ainda, o câmbio automático de seis marchas, que nesta geração conversa ainda melhor com o novo motor da família EcoBlue, que também recebe o nome de “Panther”. A suavidade nas trocas de marchas chama a atenção, bem como o escalonamento que aproveita a força deste propulsor em todas as rotações.
2) Consumo
Um dos compromissos do novo motor 2.0 turbodiesel da Ranger XLS 2024 é o consumo. De acordo com o Inmetro, a picape nesta configuração chega a 10 km/l na cidade e 11,5 km/l na estrada, número que lhe dá impressionantes 920 km de autonomia no ciclo rodoviário, mérito do tanque de 80 litros.
São números bons para uma caminhonete desse porte, tanto que a Ranger XLS 2.0 4x4 é a picape diesel automática mais econômica na estrada na categoria, ficando atrás somente da Toyota Hilux SR no consumo citadino (10,3 km/l). Como comparação, as versões V6 da picape da Ford fazem 8,9 km/l na cidade e 10,2 km/l na estrada.
3) Faróis
Uma das gratas surpresas da Ranger XLS é que, mesmo sendo uma versão intermediária de acabamento, ela já vem com faróis full-LED em todas as configurações de motor e transmissão. É uma grande vantagem para a picape, já que na parte das concorrentes esse recurso não está presente nas variantes intermediárias – leia-se Toyota Hilux SR e Chevrolet S10 LT.
O recurso auxilia principalmente na rodagem em estradas de pistas simples à noite – cenário muito comum para esse tipo de veículo. De lâmpada halógena, mesmo, teremos apenas os faróis de neblina – que são de LED somente da versão XLT para cima.
4) Painel digital
A Ford pode bater na mesa e dizer: a Ranger é a única picape do segmento com quadro de instrumentos digital configurável de série, algo que está disponível em todas as versões dela – inclusive na “pé de boi” XL. Para se ter ideia, é um equipamento indisponível até para as versões mais caras da concorrência.
O display é completo em informações e de boa resolução. Com 8 polegadas e tela colorida, conta até com animação quando você gira a chave para dar a partida. Exibe, ainda, os modos de condução (que nesta versão são quatro: Normal, Eco, Reboque e Escorregadio) e demais informações já esperadas em um computador de bordo.
5) Multimídia
A central multimídia da Ranger XLS 2024 também merece estar na seção de destaques positivos, já que, mesmo na versão intermediária, possui tela de 10 polegadas vertical. É uma tela maior do que normalmente se oferece no segmento, sem contar que ostenta boa visualização, resolução e concentra os comandos de ar-condicionado – por mais que exista os botões físicos logo abaixo. Conta, também, com suporte a Apple CarPlay e Android Auto sem fio.
6) Equipamentos
Além de contar com um preço mais baixo perante a concorrência, a Ranger XLS 2.0 apela para uma lista de itens de série recheada, mesmo sendo uma opção intermediária na gama. Em sua apresentação, a Ford destacou recursos que são exclusivos em sua faixa de preço.
Além dos já mencionados faróis full-LED, cluster digital de 8” e multimídia de 10” com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, temos carregador de celular sem fio, sistema anticapotamento, ajuste de profundidade no volante, degrau de acesso para a caçamba, engate de reboque, bússola e inclinômetros longitudinal e transversal.
A marca destacou também a tração 4x4 com diferencial traseiro blocante, sensores de estacionamento traseiros, ar-condicionado com difusor traseiro, seletor de modos de condução, sete airbags, assistente de partida em rampas, câmera de ré, controle de cruzeiro com limitador de velocidade, controle de descidas e sistema FordPass (com direito a localização, partida remota agendada e mais).
7) Isolamento acústico
Assim como a versão topo de linha V6, a Ranger XLS com motor 2.0 turbodiesel faz o dever de casa quando o assunto é isolamento acústico. A marca realmente teve um cuidado especial nesse aspecto, já que os ruídos do motor são muito bem filtrados para a cabine, mesmo quando o propulsor opera a rotações mais altas.
Com isso, aquela sensação geral de se estar em um SUV, e não em uma picape média, continua nesta variante mais simples. Ou seja, aparentemente a Ford não fez qualquer tipo de redução de conforto acústico na variante XLS, outro fator que a ajudará a se sobressair em sua faixa de preço.
Ford Ranger XLS 2.0 4x4 2024 – Pontos negativos
1) Caçamba
Em nossa avaliação com a Ranger Limited V6, apontamos a falta de um item essencial para qualquer picape: capota marítima, que está disponível na versão mais cara apenas como opcional. No caso da XLS, até a proteção plástica da caçamba deixa de vir de fábrica, uma grande mancada numa versão que pode ser usada para o trabalho.
A Ford não divulgou ainda se oferecerá a proteção para a caçamba como acessório para a XLS, mas para a Ranger XLT o item está à venda por R$ 2.150 extras.
2) Tampa traseira
É difícil de entender por que a abertura da tampa da caçamba da Ranger XLS não tem qualquer amortecimento. Ou seja, basta você apertar o botão da trava da caçamba para ela cair de forma repentina. É um recurso trivial e que está disponível até mesmo em picapes mais baratas – algo que a marca do oval azul acabou economizando até mesmo na topo de linha, Limited.
3) Visual das rodas
A nova Ranger XLS 2.0 4x4 vem equipada com rodas de liga leve de 17 polegadas, calçadas com pneus 255/70, menores do que o jogo de 18 polegadas usado nas variantes XLT e Limited (que pode ter, ainda, um jogo de 20 polegadas no pacote Limited Plus).
São rodas menores e que reforçam o estilo de picape raiz, mas que, ao mesmo tempo, deixam a caminhonete com visual mais simplório. Ainda mais porque não há qualquer tipo de aplique/friso cromado na carroceria para ressaltar os seus traços.
4) Acabamento
Já esperávamos que as versões mais simples da nova Ranger, XL e XLS, viessem com um acabamento interno simplificado. E olha que mesmo nas opções mais caras ele não chega a ser seu maior destaque...
No caso da Ranger XLS, perde-se o material suave ao toque no painel e o couro macio nos painéis das portas, bem como o revestimento em couro no volante e nos assentos. Ainda restaram materiais macios nos apoios de braço nas portas (inclusive na traseira). Segundo a própria Ford, a simplificação é necessária para o posicionamento de cada configuração. Se serve de consolo, o acabamento em plástico rígido herda os bons arremates das mais caras.
Ford Ranger XLS 2.0 4x4 2024 – Ficha técnica
Motor: 2.0, dianteiro, longitudinal, quatro
cilindros, 16V, turbodiesel, duplo comando de válvulas, injeção direta
Potência: 170 cv a 3.500 rpm
Torque: 41,3 kgfm a 2.000 rpm
Peso/potência: 12,84 kg/cv
Peso/torque: 52,9 kg/kgfm
Câmbio: automático, 6 marchas
Tração: 4x4 com bloqueio de diferencial traseiro e reduzida
0 a 100 km/h: não divulgado
Velocidade máxima: não divulgado
Consumo (Inmetro): 10 km/l com diesel na cidade e 11,5 km/l na estrada.
Dimensões: 5.370 mm de comprimento; 3.270 mm de entre-eixos; 1.860 mm de largura; 1.884 mm de altura; 1.250 litros de caçamba; 1.037 kg de capacidade de carga; 3.100 kg de capacidade de reboque (com freio); 80 litros de tanque de combustível; 2.183 kg de peso em ordem de marcha.
Dados técnicos: direção elétrica progressiva; suspensão braços sobrepostos triangulares (dianteira) e eixo rígido com feixe de molas semielípticas (traseira); freios a discos ventilados (dianteira) e discos sólidos (traseira); diâmetro de giro não divulgado; coeficiente aerodinâmico não divulgado; vão livre do solo, 23,5 cm; ângulo de ataque, 30°; ângulo de saída, 26°; ângulo de transposição de rampas, 22°; capacidade de imersão, 80 cm; pneus, 255/70 R17; estepe integral 255/70 R17.
Ford Ranger XLS 2.0 4x4 2024 – Itens de série
- Faróis full-LED com DRL
- Carregador de celular sem fio
- Painel de instrumentos digital de 8”
- Central multimídia com tela vertical de 10”
- Seis alto-falantes
- Android Auto e Apple CarPlay sem fio
- Sistema anticapotamento
- Volante com ajuste de profundidade e altura
- Degrau de acesso para a caçamba
- Engate de reboque
- Bússola e inclinômetros longitudinal e transversal
- Tração 4x4 com diferencial traseiro blocante
- Sensor de estacionamento traseiro,
- Ar-condicionado com saída de ar traseira
- Seletor de modos de condução
- Sete airbags
- Assistente de partida em rampas
- Câmera de ré
- Piloto automático com limitador de velocidade
- Controle de descidas
- Sistema FordPass (com direito a localização, partida remota agendada e mais)
- Faróis com ajuste elétrico
- Acendimento automático dos faróis
- Faróis de neblina halógenos
- Rodas de liga-leve aro 17 com pneus 255/70 All terrain
- Retrovisores com ajuste elétrico e luzes indicadoras de direção
- Tomada 12V na caçamba
- Quatro entradas USB (duas tipo C e duas tipo A)
- Seis pontos para amarração de carga
- Alarme
- Controles de tração e estabilidade
- Tampa da caçamba com chave
- Direção elétrica
- Freio a disco nas quatro rodas
- Provisão elétrica de reboque
Ford Ranger XLS 2.0 4x4 2024 – Vale a pena?
Com visual totalmente renovado, inspirado na irmã norte-americana F-150, pacote de equipamentos acima do esperado para a categoria e motor 2.0 turbodiesel com promessa de boa economia de combustível e autonomia, a nova Ford Ranger XLS 2.0 4x4 tem tudo para ser a picape média a ser batida em sua faixa de preço.
Basta comparar: enquanto a Ranger XLS 2.0 4x4 2024 custa R$ 259.990, as rivais Chevrolet S10 LT (R$ 265.400) e Toyota Hilux SR (R$ 272.190) custam mais oferecendo menos. A Ford parece ter achado a receita ideal para trazer de volta para si as atenções do mercado nacional com a nova Ranger 2024 – e conseguiu fazer isso até mesmo nas versões mais simples.
Pelo jeito, a nova Ranger deverá ser a referência também nas versões intermediárias, como a XLS 2.0 4x4 2024, seja no uso para lazer ou para o trabalho, algo crucial para o sucesso de uma picape média no Brasil. Como dizem os centennials: parece que “vai dar bom”.
Repórter
Entusiasta de carros desde criança, achou no jornalismo uma forma de combinar paixão e profissão. É jornalista formado pela faculdade FIAM-FAAM e atua no setor automotivo desde 2014, com passagens por Auto+, Quatro Rodas e Motor1 Brasil.